As chuvas acima da média registradas durante o outono e o inverno alteraram o calendário da colheita em MG e SP para a produção dos vinhos de inverno. O excesso de nebulosidade e a menor incidência de sol retardaram a maturação das uvas, levando vinícolas dos dois estados a adiar o início da vindima em relação aos anos anteriores.
Apesar da mudança no cronograma, produtores e especialistas afirmam que a qualidade da safra permanece preservada. Isso acontece graças à técnica da dupla poda, que oferece maior flexibilidade para definir o momento ideal da colheita sem comprometer o potencial das uvas.
Como as chuvas impactaram a colheita em MG e SP
Em condições normais, a colheita das uvas destinadas aos vinhos de inverno costuma começar na primeira quinzena de julho. Em 2026, porém, o cenário foi diferente.
Em São Roque (SP), por exemplo, a Philosophia Wines adiou o início da vindima devido às condições climáticas registradas nos últimos meses. Segundo representantes do setor, o excesso de chuvas e os dias mais nublados retardaram o desenvolvimento das uvas.
Em Minas Gerais, especialmente na região Sul do estado, o comportamento foi semelhante. De acordo com especialistas, o volume de chuva registrado durante o período de maturação ficou acima da média histórica, reduzindo a velocidade com que as uvas atingiram o ponto ideal para a colheita.
Por que a maturação ficou mais lenta?
Menor incidência de sol
A maturação das uvas depende diretamente da disponibilidade de luz solar. Com dias mais nublados, a planta realiza menos fotossíntese, tornando o acúmulo de açúcares mais lento.
Como consequência, o equilíbrio entre açúcar, acidez e compostos fenólicos demora mais para ser alcançado, exigindo alguns dias ou semanas adicionais antes da colheita.
Chuvas acima da média
Além da nebulosidade, as chuvas frequentes durante o outono e o inverno contribuíram para desacelerar a evolução dos cachos.
Embora esse cenário tenha alterado o calendário da colheita em MG e SP, os produtores afirmam que não houve necessidade de colher as uvas antes da maturação adequada.
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A dupla poda reduz os impactos do clima
Um dos principais diferenciais da produção de vinhos de inverno no Brasil é a utilização da técnica conhecida como dupla poda.
Esse manejo altera o ciclo natural da videira para que a maturação e a colheita ocorram durante os meses mais secos do ano, em vez do verão.
Mais flexibilidade para a vindima
Com a dupla poda, os produtores conseguem manter os cachos na planta por mais tempo quando as condições climáticas retardam a maturação.
Isso permite esperar o ponto ideal de desenvolvimento das uvas sem perdas significativas de qualidade, tornando o sistema mais resiliente diante de variações no clima.
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Diferença da colheita em MG e SP em relação à Serra Gaúcha
A situação observada em Minas Gerais e São Paulo é diferente da realidade da Serra Gaúcha, principal região produtora de vinhos do país.
No Rio Grande do Sul, a colheita ocorre durante o verão. Quando há chuvas intensas próximas à vindima, o risco de deterioração dos cachos aumenta rapidamente, muitas vezes obrigando os produtores a antecipar a colheita antes que as uvas atinjam sua maturação ideal.
Já nos vinhos de inverno, a combinação entre dupla poda e colheita nos meses mais secos oferece maior margem para ajustar o calendário conforme as condições climáticas.
Expectativa para a safra de 2026
Mesmo com o atraso na colheita em MG e SP, a expectativa para a safra segue positiva.
A previsão é de uma produção próxima de 4,5 mil toneladas de uvas viníferas, representando um crescimento de aproximadamente 15% em relação ao ciclo anterior. O avanço é atribuído principalmente à expansão das áreas cultivadas, refletindo o crescimento da produção de vinhos de inverno no Brasil.
Caso o clima permaneça favorável nas próximas semanas, a expectativa é que as uvas alcancem a maturação ideal, preservando as características necessárias para a elaboração de vinhos de alta qualidade.
O que esperar da safra após colheita em MG e SP
O atraso na colheita em MG e SP não representa, necessariamente, uma preocupação para os produtores de vinhos de inverno. Ao contrário, o sistema de produção adotado nessas regiões permite adaptar o calendário às condições climáticas sem comprometer o potencial da safra.
Embora o excesso de chuvas tenha exigido mais paciência por parte das vinícolas, a expectativa do setor permanece otimista tanto em relação ao volume produzido quanto à qualidade dos vinhos que chegarão ao mercado nos próximos meses.
