O vinho canônico faz parte das celebrações da Igreja Católica. Embora também possa ser encontrado à venda para o público em geral, esse vinho não é produzido de qualquer maneira: existem critérios específicos para sua composição e utilização.
Entender essas características ajuda a conhecer melhor uma bebida que une tradição religiosa e produção vinícola.
Neste artigo, entenda as regras para sua produção, suas principais características e como esse tipo de vinho é produzido e comercializado no Brasil.
O que é vinho canônico?
O vinho canônico é uma bebida produzida para uso nas celebrações da Igreja Católica, especialmente durante o sacramento da Eucaristia. Também conhecido como vinho de missa ou vinho litúrgico, esse tipo de vinho segue regras específicas de produção e utilização.
Como funciona a legislação canônica?
O código de leis canônicas diz que o vinho deve ser natural, ou seja, bebidas artificiais que tenham aparência e gosto de vinho não são aceitas. O vinho deve ser produzido a partir de uvas, descartando vinhos que são feitos a partir de outras frutas. Além disso, o vinho não pode estar estragado. Por fim, a lei canônica referente a essa questão diz que uma pequena quantidade de água deve ser adicionada ao vinho da eucaristia.
Por que a água? Porque, tradicionalmente, no tempo de Cristo, o vinho bebido era misturado a um pouco de água, então presume-se que assim deve ter sido feito, também, durante a Última Ceia.
É comum pensar que, já que o vinho representa o sangue de Cristo, o vinho precisaria ser tinto. Porém, a cor é irrelevante. O mais popular vinho de missa consumido no Brasil, por exemplo, é rosado. Já os padres europeus, inclusive em Roma, dão preferência ao vinho branco para evitar manchas nos tecidos do altar e em suas vestes. Isso é importante porque as peças não poderão ser lavadas, pois não se lava o “sangue de Cristo”.
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Quais são as características do vinho canônico?
O vinho rotulado como canônico muitas vezes costuma ser doce, e as variedades de uvas utilizadas no processo de fabricação dos vinhos de altar podem ser de Vitis Vinifera ou híbridas americanas. No Brasil, as mais comuns costumam ser Moscato, Saint-Emilion e Isabel, tendo como resultado um vinho rosado.
Ele também costuma receber adição de álcool etílico. O elevado teor alcoólico e a grande concentração de açúcar cumprem a função de conservar o produto por mais tempo, já que o vinho tem um consumo lento (um pequeno volume a cada missa), e precisa durar mais tempo na garrafa. A graduação alcoólica normalmente fica em torno de 16%.
Como é o vinho canônico no Brasil?
No Brasil, destaca-se o rótulo do Vinho Canônico produzido e comercializado pela Vinícola Salton, que começou a fazer vinhos para missa há mais de 70 anos. Os primeiros exemplares foram feitos sob encomenda de um padre espanhol que solicitou à empresa, localizada em Bento Gonçalves, que produzisse um vinho de missa semelhante ao que ele estava acostumado a usar na Europa (ou seja, mais licoroso e doce).
O Vinho Canônico da Salton atualmente atende a igrejas de todo o país, com autorização da Cúria Metropolitana. São produzidos mais de 300 mil garrafas por ano; 80% são comercializados para as igrejas. O restante pode ser comprado pelo consumidor comum, por quem aprecia vinhos mais doces.
Apesar de ser elaborado para ser servido durante a celebração da santa missa, o vinho pode ser harmonizado com sobremesas como doces, compotas, tortas e como aperitivo.
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